Trastejando

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior.

Violão Clássico: Yamaha CG-130A – “Jack”

Escrito em 18/05/2013 | 7 comentários

Semana passada foi dia das mães.  Dia de reunir a família. Aí esse ano mamãe pediu para irmos à casa nova do meu irmão. Logo ali, na tal de “zona oeste”. Pertinho, é só pegar a Avenida Brasil e ir até o fim do universo… digo, até o fim da pista seletiva… Nesses dias, eu ainda mantenho a tradição e carrego um violão pra me fazer companhia. Talvez por nostalgia, quebrei um costume pessoal: ao invés do countrynesco-bluesífero violão de corda de aço que sempre vai comigo, resolvi pegar o velho Jack de lá do seu cantinho empoeirado na parede do meu escritório.

“Jack”. O tipo de nome que só um garoto daria. Nem faço mais idéia do por quê. Também, já tem 18 anos. Jack é meu primeiro e mais sofrido violão. O coitado resistiu a várias quedas, a muitas tardes no colégio, a dias (e noites) na praia, já dormiu em porta-malas, já pegou chuva, sol e muito mais coisa que eu consigo lembrar. Sobreviveu a um adolescente relaxado, enfim.

Pois é. Quando eu fiz 15 anos, pedi um violão de aniversário; aí a mamãe chamou um velho amigo, que escolheu esse. Fiquei decepcionado; eu tava namorando um violão, cheguei a reclamar com a mamãe: “— Pô, mãe! Eu queria era aquele FOLK AZUL DA PROMOÇÃO!!!” Sábia mamãe. Nada de frufrus, nada de cordas de aço, nada de guitarra elétrica. Apenas um realmente bom e sonoro violão clássico acústico, com boas madeiras e tal, pescado a dedo por um cara que entende. Nada mais macio e mais versátil para um aprendiz, na minha opinião.

Ao contrário dos vários tipos de violões de corda de aço (que aqui no Brasil todo mundo errônea e simplesmente agrupa tudo chamando de “violão folk” — mas é assunto pra outro post), um violão clássico acústico não tem muita variação sonora nem conceitual. Ou pelo menos não deveria ter. O braço e o corpo tem basicamente medidas-padrão. Usa cordas de nylon. Em termos de som, eu diria que ele tem quer ser “rico nas pontas” do registro: ter graves presentes e agudos brilhantes, pra contrastar com o que ele tem naturalmente mais forte — os médios. Violões baratos geralmente soam “nasais” e embolados, com médios demais na minha opinião. Mas é questão de gosto; fabricante mais tradicional do Brasil, a Di Giorgio fez e mantém sua fama com os modelos Estudante (que nem são “baratos”) sendo basicamente isso: midrange acima de tudo. Aliás, os Di Giorgios e Gianninis mais antigos que já toquei me dizem que as madeiras nacionais pra violão (pau-ferro, cedro e imbuia, se me lembro) puxam um bocado pra esse timbre, então dá até pra dizer que é um som de violão brazuca. Eu não curto… Ah, pra registrar: o Jack tem o tampo em spruce (no Brasil se chama oficialmente “abeto”, mas todo mundo chama de spruce mesmo) e o resto do corpo e braço em nato (uma madeira parecida com o mogno mas mais barata); a escala é em rosewood indiano (bem parecida com o rosewood brasileiro, o jacarandá). Gosto MUITO do volume e do timbre dele, muito equilibrado. Se tivesse uma pitadinha de agudo a mais, seria perfeito — mas é um 9,6 sobre 10. Ele ganha de muito violão que custa mais que o dobro dele.

Giannini Fiber New Tone azul - o violão da promoção!

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É uma pergunta recorrente na minha vida: “Qual o melhor instrumento pra aprender a tocar, violão ou guitarra?” Hoje, com as opções baratas e de qualidade suficiente tanto pra iniciantes acústicos como elétricos, a maioria dos conselheiros diria pra você simplesmente seguir o lado que mais lhe apetecer. Mas sem querer bancar o evangelista, esse é o meu testemunho: eu estudei e me diverti bastante em casa com meu violão. E também tive minha guitarra (e tenho ela até hoje!). Mas acredito que aprendi tanto ou mais na rua, com o meu velho Jack. Até mais do que violão propriamente, acho que aprendi muito de música em si nas rodas de amigos, com todo mundo cantando e perseguindo acordes juntos. Ou nas rodas dos pais, vendo os gurus e tentando aprender as diferenças do jeito de cada um tocar. Uma “guitarra + caixa de som” nunca teria tido a mesma praticidade — pior, não teria a mesma sociabilidade — de um violão.

E aqui vai uma amostra do som do Jack. Gravado completamente flat no meu gravador portátil. Demorei pra fazer esse post porque tava faltando tempo de gravar, mas agora tá aqui:

Equipamento dessa gravação:

  • O Jack com um captador de contato da Schatten Design (que também merece um post no futuro);
  • Tascam DP-004 PocketStudio, meu gravador portátil.

 

7 Comentários

  1. Olá meu velho novo amigo, Pablo!

    Digo assim, porque você me passa aquele sentimento típico dos que são amigos de longa data, embora recentes.

    Parabéns pelo belo texto. Sua história bem contada, com suas informações técnicas cheias de boas impressões de quem viveu e aprendeu no percurso, dá gosto de ler. Sem contar na música bem escolhida e bem executada! Show!

    Deixo um link com uma história do autor dessa música. Acho que vai curtir!

    Parabéns mais uma vez!

    http://blogdochicofurriel.blogspot.com.br/2011/12/enquanto-isso-o-disco-de-claudio-nucci.html

    • Camarada Assis, obrigado! Pelo comentário e principalmente pelo link! Cara, eu NÃO CONHECIA Cláudio Nucci até hoje e nem sabia que isso era dele, pode essa vergonha?… Já to lendo seu outro post, dele com o Zé Renato (esse ao menos eu conheço um cadinho, hehehe)… Fantástico!

      Quanto a essa velha-nova amizade, pode crer, é mútua. Mas falta uma tarde e uma churrasqueira pra acabar de vez com essa novidade, hahaha… Vou pressionar o nosso amigo Pedro pra isso!…

      Forte abraço, novo-velho camarada.

  2. legal pablo, não sabia que você tinha um blog. gostei do texto, mas faltou nos dizer: e o dia das mães foi legal? como está o diego?

    []’s

    ps. não li o link do seu amigo que fala do claudio nucci, mas sei que ele mora em friburgo e tem um filho que também toca, inclusive dava (ou dá) umas canjas no “segunda sem lei” lá em lumiar.

    • Caraca! Que saudade, hein? Cara, tem um negócio que tem muito tempo que eu precisava te dizer; não é exatamente do jeito certo, mas você entende. Hoje, quando eu olho meu filho dormindo, eu fico torcendo pra que ele cresça e tenha amigos como meu pai teve você. E como eu tenho você. Sinto falta de vocês.

      Pois é, o blog é novidade pra mim também, é uma tentativa de fazer minha mente voltar à vida… muito tempo afastado do mundo, vivendo só pra trabalho… Aliás, To devendo visita pra vocês. É uma dívida com vocês e comigo mesmo.

      O dia das mães foi mais legal do que eu esperava. Diego está bem na foto, casado com uma menina bacana, morando num lugar sossegadinho, ali em Bento Ribeiro… Eu achei meio longe. Mas é muito legal, rua calma, cadeiras na calçada, estilo “antigamente”. Curti. Mamãe também.

      Espero que não demore muito pra gente se encontrar em Lumiar… Posso aparecer num fim de semana, posso?

      Beijo no coração.

      • claro que pode, a casa agora cabe todo mundo, vamos combinar…

        []’s

  3. Amigo querido, que satisfação quando soube do seu blog através da “propaganda” que a Peq fez dele no facebook! E que emoção saber que o Jack, depois de todos esses anos, continua sendo um respeitável violão. Espero que você siga lhe dando o devido valor, esse violão querido com certeza tem muita história boa pra CONTAR, e cantar, né não? 🙂

    Lembro-me dele quando você o ganhou. A sensação que causou nas nossas “pastoreicas” rodinhas de violão! Hehehe! Saudades das nossas cantorias… estamos merecendo um reencontro. Um forte abraço!
    Carol.

    • Eita, Carol… Quando que você vem pra essas bandas engarrafadas daqui de Niterói? O som está aqui… esperando a gente…

      beijo!

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