Trastejando

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior.

Review: Ibanez SGE 130VS

Escrito em 23/12/2013 | 3 comentários

Olá, meus milhares de 4 leitores! To doido pra terminar minha saga de violões antes de 2014, to recebendo milhares de nenhuma cartas pedindo a solução do caso: Qual foi o violão escolhido? Comprou ou não comprou? Vai parar de enrolar não? Então deixa eu adiantar esse post…

Quem está acompanhando a história (segue o link do último post), viu que eu fui na mesma loja pela segunda vez e não fui muito bem atendido. Mais importante, viu que eu fiquei com o olho grande em um violão “meio difícil”… Claro que eu tinha que botar a mão nele. E claro que eu não ia pedir pro mesmo vendedor que não teve a boa vontade de descer a peça de lá do alto do mostruário. Então eu voltei lá, pela terceira vez. Cheguei na loja bem cedo (ainda bem que meu chefe não lê isso aqui, hehe) e pesquei outro vendedor antes do anterior me ver.

Dica de consumidor#1: pra fazer uma compra em que você depende da disposição do vendedor — seja para trazer várias opções diferentes de produto, seja para dar uma sugestão diferente — escolha o MAIS JOVEM. Geralmente são os que têm mais paciência para ajudar, mais esperança de concretizar aquela venda (e por isso se esforçam mais por ela) e têm menos malícia para te dar opiniões com segundas intenções (por exemplo, oferecer um produto pior com uma margem de lucro maior para eles ou simplesmente difamar um bom produto barato para oferecer um mais caro).

Foi o que eu fiz. E o rapaz foi muito mais solícito e rapidinho deu um jeito de tirar o violão lá de cima. E de cara me falou que “talvez eu preferisse um Strinberg que era mais barato e na opinião dele tão legal quanto”. Eu já tinha testado o tal Strinberg e não me impressionei. Mas esse pra mim já parecia muito diferente só de colocar no colo…

Ibanez SGE130

Ibanez SGE 130vs

SonicSom, rua da Carioca – R$1000,00

Steve Vai e sua Ibanez JEM

Steve Vai e sua Ibanez JEM

Quando falei pela primeira vez dos violões Takamine (aqui), comentei sobre os anos 70 e como as fabricantes japonesas invadiram o mundo ocidental. Pra quem não está acostumado com marcas de violões e guitarras, a Ibanez pode parecer um nome obscuro perto de figurões como a Yamaha e a Takamine. Mas ela é a marca japonesa desse mercado que mais vende no mundo. Ela já exporta instrumentos elétricos e acústicos desde os anos 60, e meio que “ajudou” as outras orientais a aparecerem. E começou a ser realmente notada mesmo no final dos anos 70 — o pessoal do jovem hardcore mundial gostava delas por ser um ótimo custo/benefício. E “custo/benefício” não significa instrumento “semi-pro” não — pra dar um exemplo: Ibanez é a marca da guitarra do Steve Vai, o cara eleito pela revistas de guitarra como “melhor guitarrista do mundo” por vários anos consecutivos — ainda vou escrever sobre ele e sua Ibanez JEM, mas é história pra outro dia. A grande característica (e a coisa mais legal) da Ibanez é que ela tem uma faixa extremamente ampla de produtos e preços, então você encontra desde guitarras e violões “básicos” para amadores e semi-pros até “tops-de-linha” para quem quiser. E mesmo os básicos que testei são “básicos” e não “vagabundos” — instrumentos consistentes, sem extras e frufrus, mas satisfatórios e funcionais em sua proposta. Eu tenho simpatia pela marca, porque vi muito dela: quem tocou guitarra nos anos 80/90, certamente ou teve uma Ibanez, ou conhece alguém que teve.

Eu já peguei em violões Ibanez e tive a mesma sensação dos Takamines em geral — achei bons e sólidos, sem ficar impressionado — o que é interessante, porque um instrumento Ibanez costuma custar em média a metade do preço de um Takamine. Mas nunca tinha encontrado um violão jumbo dessa marca. Vamos à análise então:

Ibanez-SGE130-bodyAction: 4/5

Altura de cordas ok, não trastejou, braço rápido o suficiente… Já vi melhores, mas este tá bem bom. Tem potencial pra ótimo depois de uma regulagem. Pra variar o que me compra é o corpão, acho que eu tenho tara com mulher e violão grande… Eu sempre pego um super-jumbo achando que ele vai ser grande demais pra mim, mas já é a segunda vez que eu sinto que ele se encaixa perfeitamente no meu colo.

Timbre Acústico: 4/5

Tem um grave meio profundo, mais sutil do que presente. Os agudos estão lá brilhando, onde e como têm que estar. Estranhei o mid range — ele apareceu em alguns pontos com uma força diferente, em outros ele pareceu meio apagado. Enfim, personalidade!

 Volume Acústico: 3/5

Pra tanto corpo, ele não fala alto como eu gostaria. Queria muito dizer que fiquei plenamente satisfeito, mas pra ser bem honesto eu esperava mais.

 Captação: 4/5

Ibanez-SGE130-pickupNessa eu sou suspeito. Essa criança usa um incomum sistema de captação magnética (de boca), empurrada por um pré ativo, com controle de 2 bandas — sem médio, pena — mas que dá conta do recado. O fato é que depois que meu sogro me trouxe um captador magnético (um Fishman Rare Earth fantástico) pro meu violão 12 cordas, eu passei a curtir captadores desse tipo; apesar do som nunca chegar a 100% true, dependendo do modelo ele pode chegar tranquilamente a 90%, 95% de um som “natural”, ou seja, convence muito bem — geralmente você não vai perceber a diferença. Isso em troca de um sistema de captação livre de feedback? Fala sério; na minha opinião essa é a opção ideal para um violão que vai ser usado mais ao vivo do que em estúdio — até porque, se você vai gravar a sério em estúdio você vai usar um microfone condenser e não o sistema de captação de rastilho padrão dos violões nessa faixa de preço… Aliás, salvo se for uma PUTA captação (como um sistema de transducers da Schatten Designs ou da K&K Sound, como os violões da Taylor), nada em estúdio vai te dar a fidelidade de um bom microfone. Então, pra finalidade dele e pelo resultado final, nesse eu daria 5 estrelas; só não dei porque falta o controle de médios no equalizador.

 Preço: R$800 a R$1100,00 – 4/5

O conjunto da obra é o seguinte: é um bom violão sem ser ótimo, tem limitações tanto elétrica quanto acusticamente. Mas satisfaz um músico de casa e de platéia. Pra classificar em poucas palavras eu diria que ele é “honesto”; tá num bom preço: ele tem praticamente o mesmo feeling e características do jumbo da Epiphone que eu testei, pela metade do valor. Por mil pratas, acho que vale isso. Mas ele me conquistou em dois aspectos: CONFORTO e VISUAL.

Saí da loja bem balançado, morrendo de vontade de levar esse comigo de uma vez. Mas uma voz abafada na minha mente sussurrava que eu estava me precipitando — “se você tem tanta certeza por que não comprou ainda?” Minha busca ainda não tinha chegado ao fim. Voltei pra casa, entrei na internet e encontrei um igual à venda, usado, por R$700,00. Parecia bem novo e com pouco uso. Marquei de encontrar com o vendedor no Centro do Rio. Na véspera ele desmarcou. Fiquei puto. E aí…

… Aguarde cenas do próximo capítulo…

3 Comentários

  1. Pablo, precisamos conversar.

  2. Já que a saudade é grande e você não tem facebook, twitter nem responde meus e-mails, resolvi acompanhar suas novidades pelo seu site. Não entendo lhufas dos aspectos técnicos, mas é divertido imaginar você lidando com um vendedor mal humorado. Parece que eu estou te vendo e te ouvindo.
    O site tá bem legal! Espero que a galera “musical” esteja acompanhando e aproveitando, porque dá pra ver que tem muita informação de qualidade (ou pelo menos muita opinião).

    • Poxa, é só eu dar uma vaciladinha de nada e o cara já vem malhando, rsrsrs… To muito enrolado, amiguinho; pra ter uma idéia, a história desse post aconteceu em setembro e só consegui contá-la agora… E eu to chegando aos poucos nesse mundo de redes sociais, mas já tenho google+!

      Mas obrigado pela visita. Acho que vou continuar sem te responder pra vc vir visitar o site… Já vai fazer a audiência do site subir em 33% (vai passar de 2 pra 3 leitores, rsrsrs)…

      beijo, mano brother!

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