Trastejando

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior.

Review: Epiphone EJ-200CE

Escrito em 30/10/2013 | 6 comentários

Mais um post da séria série “Em busca do violão certo”… Se algum dos meus milhares de 4 leitores perdeu o episódio da venda do meu violão principal, ele tá aqui.

Nesse ponto da minha busca eu saí por vários dias a perambular pelas lojas de instrumentos do centro do Rio, procurando algo que me chamasse a atenção. O Yamaha que testei antes não chegou a me convencer. Aí vi um desse, que já era um sonho antigo, dando sopa numa vitrine. A pricetag é um pouco alta, mas vai que ele é tudo o que eu sempre sonhei?

Epiphone EJ200CE

Epiphone EJ-200CE

Na SonicSom, na rua da Carioca. Preço: R$2000,00

Lennon's CasinoA Epiphone, pra quem não conhece, é uma marca norte-americana tradicional de violões e guitarras. É propriedade da gigante Gibson desde os anos 50, e apesar de ter violões e guitarras notáveis — como o AJ-160 do Lennon, o Texan de Paul MacCartney e as Casinos de todos os Beatles (veja John Lennon aí do lado com uma!), pra citar alguns — é mais conhecida em geral por oferecer instrumentos de boa qualidade a preços acessíveis. Essa é a versão acessível do violão mais popular da Gibson: o J-200, pai de todos os jumbos (leu o meu tutorial?). Por ser um “parente de sangue”, o EJ-200CE não é só um “mais um violão jumbo”, e sim uma “réplica prática” do original, com direito a detalhes visuais clássicos (como o escudo florido e a ponte em forma de bigode), somado a facilidades modernas (o CE, por exemplo, vem de Cutaway Electric) e um preço mais acessível — infelizmente no Brasil isso acaba soando como piada… Mas esse é um violão que custa menos de 500 dólares no seu mercado de origem, ao invés dos U$3.800,00 da versão original da Gibson. Mas vamos à análise do bicho!

Action: 5/5

Braço rápido, do tamanho certo, extremamente confortável e macio pra tocar, especialmente pra um instrumento que ainda não passou pelas mãos de um luthier. O corpo gigante, por incrível que pareça, se encaixa perfeitamente pra tocar sentadinho. Me ganhou fácil; deu aquela sensação de “peraí, deixa eu tocar só mais uma”…

Timbre Acústico: 4/5

Legal. Este violão que testei estava com cordas não muito novas e de uma cor niquel-avermelhada que eu já vi antes em outros instrumentos e cujo som não curti. Mesmo assim gostei dos graves e dos agudos — tem uma complexidade leve, e os médios ficam onde têm que ficar. Talvez com um bom jogo de cordas 8020 a voz dele se abra bem mais.

Volume Acústico: 3/5

Epiphone_EJ-200CE_VS_01Se ele fosse um violão comum com corpo “mini” como o Yamaha da review anterior, eu daria 4. Mas um violão chamado “super-jumbo”, com DNA Gibson, devia soar ALTO, e ele não cumpre essa meta. Isto dito, ele também não soa “baixo demais”. To me repetindo, mas acho que com aquele jogo de bronze 8020 ou mesmo um phosphor bronze talvez ele vire um bom (ou com sorte, um ótimo) acústico em termos de volume. Mas só posso avaliar o que eu tenho em mãos… E como está ele não passa na minha avaliação; me surpreendeu e não foi positivamente.

Captação: 4/5

Sistema Esonic2Aqui eu preciso entrar em alguns detalhes. Já conheço o esquema de captação desse violão: a Epiphone chama o sistema de Esonic2. É um conjunto da Shadow (uma marca tradicional de captadores acústicos, como a Fishman e a L.R. Baggs), formado por um pré-amp e um sistema híbrido incomum: se trata de dois captadores, um piezo comum de rastilho, e um magnético na boca do violão.

Eu vou fazer um post no futuro detalhando tipos e características de captadores acústicos, mas resumindo: um captador de rastilho é o tipo comum que equipa 90% dos violões elétricos; ele entrega em geral um som razoavelmente fiel com algumas limitações, e com pouca (mas alguma) tendência à microfonia. Já o captador magnético tem resistência TOTAL à microfonia, e um timbre um pouco menos natural mas muito mais “flexível” para equalização — é basicamente o mesmo sistema de captação de som de uma guitarra. Eu já tive boas experiências com esse tipo de captadores para violão, e vou escrever também sobre isso um dia. Mas pensando agora, ele pode ser o motivo das cordas “niquel-avermelhadas-esquisitas”; alguns captadores magnéticos para violão são projetados de modo diferente para as cordas de bronze, mas talvez este exija cordas de guitarra, que são feitas exatamente de uma liga com níquel, e são menos sensíveis acusticamente… Enfim, é coisa que só dá pra descobrir testando o sistema com outro encordoamento…

epiphone EJ-200CE5678Vamos ao pré-amp: nele você pode misturar o som de ambos os captadores, dando mais presença para um ou para outro, para conseguir um som mais orgânico ou mais resistente a microfonia dependendo do que você deseja. Mas falta um item básico presente em qualquer pré — um mero equalizador de graves/médios/agudos pra fazer a “sintonia fina” do som dos captadores. Este tem apenas um controle de “tone” muito rudimentar para cada captador. Não é o fim do mundo, isso se resolve com um pedal equalizador ou mesmo diretamente no mix, seja uma caixa amplificada ou uma mesa de som. Mas pode fazer falta em algumas ocasiões. Bom, pra concluir: esse sistema é bem peculiar e não é perfeito, mas é interessante o suficiente e bastante versátil. Pra mim ele é bem legal; 4 estrelinhas pra ele.

 Preço: R$2000,00 – 2/5

Se esse violão falasse “grande” acusticamente como o tamanho dele promete, eu dava 3 pontos aqui e diria que o preço tá no limite. É o famoso “custo Brasil” falando, e num instrumento que chama a atenção como esse ele fala mais alto. Mas infelizmente eu lamento — e lamento muito, porque to cismado que boa parte da má impressão que eu tive é só por causa de um jogo de cordas ruim — mas, por mais que ele me dê o conforto e o visual que eu desejo, pra mim este violão é grana demais pra pouca acústica. E mesmo sendo uma opção elétrica interessante, existem outras bem mais em conta… Então muito obrigado, boa viagem e volte sempre.

Próximo!….

6 Comentários

  1. Qual seria a marca ou encordoamento certo para o EJ 200 ce, coloquei D`Addario 0,12 – 0,53 no meu, mas não gostei, o som está ruim. Estou pensando em por encordoamento Elixir Nanoweb 0,12 – 0,53, seria a ideal ?

    • Olá, camarada, desculpa a demora. Andei de mudança e sem computador, rsrs. Mas vamos à resposta. Senta porque a pergunta parece simples, mas a resposta é um pouquinho longa. Porque se eu responder do modo mais simples, diria “depende”.

      Antes, só pra constar: a MARCA do jogo de corda é a gosto do freguês, é como escolher marca de cerveja: tem gente que prefere Skol, tem gente que prefere Brahma. Jogos vagabundos soam mal, mas em geral todos os decentes soam parecido. O que eu uso é o D’Addario mesmo, que é o tradicional. O Elixir é mais caro, mas pelo que sei é porque ele tem mais durabilidade — as cordas tem um verniz especial que protege do suor dos dedos. Mas eu contorno isso secando as cordas com uma flanela quando termino de tocar. E testei faz pouco tempo (pra guitarra apenas, mas sei que também tem pra violão) um jogo nacional chamado Groove que me pareceu tão bom quanto o D’Addario pela metade do preço deste.

      Uma das coisas que fazem diferença real no som de um violão é o TIPO de corda. Se você leu o post, viu que eu também não fiquei satisfeito com o som dele, e desconfiei que o motivo era EXATAMENTE o jogo de cordas. Cordas de aço padrão para violão são de PHOSPHOR BRONZE, BRONZE 8020 ou até BRONZE 8515, que são ligas de cobre que vibram e soam ACUSTICAMENTE mais alto do que jogos de corda de aço para guitarra. Então se você não gostou do som com as cordas atuais tenta descobrir qual era o tipo que você estava usando pra colocar um tipo diferente e ver o que acha, isso está sempre mencionado na embalagem do encordoamento e as marcas boas tem ao menos uma versão Phosphor e uma 8020. CARACTERÍSTICAS: As Phosphor Bronze são a preferência geral porque dão mais força nos médios (a frequência principal do violão) e por isso inclusive ajudam a aumentar o volume do som. Já o bronze 8020 é a liga metálica mais antiga pra cordas de aço, ela dá graves mais profundos e agudos mais brilhantes (é a que eu prefiro, mas é um pouco mais difícil de encontrar). O bronze 8515 (a D’Addario também chama isso de “American Bronze”)é uma liga mais barata e não recomendo, pra mim soa como “corda velha” mesmo estando nova.

      O CALIBRE das cordas também influencia, mas se vc já está usando .012 e está satisfeito com o “peso” das cordas recomendo manter. Jogos de calibre menor (como .011 ou .010, comuns para violão) são mais macios pra tocar, mas a clareza do som diminui. A regra nisso é: quanto mais grosso o jogo, mais DURABILIDADE, mais VOLUME e mais CLAREZA no som; porém mais PESADO fica pra tocar.

      Espero ter ajudado um pouco. Forte abraço!

  2. Olá amigo! Resumindo sua resposta no comentário acima…Qual jogo de cordas você me recomenda pro EJ200? Levando em consideração que toco SERTANEJO e gosto de um timbre estridente e grave ao mesmo tempo. E minhas cordas tem pouca durabilidade de estética e timbre (mesmo a ELIXIR)
    Você me recomendaria alguma que se encaixa nisso que te falei?

    Obs.: Eu uso a 0.12 da Gibson e a Ernie Ball 0.11

    • Olá, camarada. Olha, nunca toquei com jogos da Gibson nem da Ernie Ball, já ouvi falar bem da segunda… A Gibson eu não sei, a marca é boa para instrumentos, né, vamo torcer pra ela ser boa de corda também…

      Mas então. Para o timbre que você tá mencionando, eu iria de bronze 8020, é exatamente onde ele pega bem, nas pontas do registro, ele é melhor nos graves e agudos. Não sei se os jogos da Gibson ou da Ernie Ball tem esse tipo específico de liga para violão de aço, mas imagino que ao menos a Ernie Ball tenha. As que costumo usar e recomendar são mesmo as D’Addario e uma divisão nacional da Solez chamada GROOVE — pra mim a Groove soa idêntico às D’Addario custando em geral metade do preço. Mas… (tem que ter um “mas”)… essas características se aplicam mesmo ao timbre DESLIGADO do violão, e o caso do EJ200 é meio incomum como eu falei no post – pode ser que o captador magnético dele funcione exatamente como um de guitarra, e por isso soe mais nítido com cordas de guitarra, que têm MENOS material magnético do que as de violão. Se for o caso, aí você pode acabar tendo que escolher entre soar melhor PLUGADO ou DESPLUGADO. O que eu faria no seu lugar: TESTAR primeiro o jogo bronze 8020 (o calibre .011 seria mais fino e menos ferroso, então seria o meu primeiro chute para achar o equilíbrio). Eu acredito que você vai ficar satisfeito com esse tipo no acústico, e talvez também plugado com um pouco de equalização. Se os graves dos bordões ficarem muito mais altos que as cordas finas pra tocar plugado, é porque o captador magnético é igual ao de guitarra, aí você escolhe – ou troca as “cordas grossas” por cordas de guitarra e soa bem plugado mas sem tanto peso no acústico, ou fica com o jogo de bronze e se treina para economizar na mão quando tocar ligado… Ou desativa de vez o captador magnético e usa só o de rastilho, eu vi que esse violão tem como fazer isso, rsrs…

      Sobre a durabilidade. Camarada, meu conselho de experiência própria: sempre, SEMPRE, S E M P R E, sempre limpe as cordas do seu instrumento quando terminar a apresentação. Se doutrine nisso, coloca como parte da rotina de guardar o instrumento: terminou o show, passa uma flanela nas cordas pela frente e por trás (entre elas e o braço) pra tirar o suor dos seus dedos, depois enrola a flanela no braço envolvendo as cordas e guarda o violão no case ou na capa. É chato de começo, mas o hábito se cria. Você não vai acreditar na diferença que faz. Eu passei por isso também. Meus jogos de corda de violão e guitarra duravam 1 mês e meio no máximo, em 2 semanas já soavam como “corda velha”. Agora TODOS os meus instrumentos tem a sua flanela particular, e eu troco corda de 6 EM 6 MESES…

  3. Qual a diferencaentre o ej 200 ce e o ej 200 sce?

    • Olá, camarada. Pelo que pude encontrar, o S vem de Solid, o 200sce é supostamente uma versão com tampo maciço enquanto o ce tem tampo laminado.

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