Trastejando

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior.

O Trastejante

Eu? Sou só um nerd da segunda geração, um violeiro aspirante, um pretenso escritor. Eram minhas paixões na época do colégio:

  • Escrever abobrinhas para o jornalzinho do grupo da escola.
  • Devorar minha mitologia preferida, os gibis da DC Comics e da Turma da Mônica.
  • Jogar e pesquisar minha segunda literatura preferida, os RPGs de ficção e fantasia (em livro, será que alguém ainda conhece?).
  • Assistir de novo e de novo aos mesmos desenhos e filmes de herói da sessão da tarde.
  • Desmontar, remontar, jogar, configurar, estragar, formatar, consertar e estudar meu computador.
  • Participar das serestas na casa de mamãe.
  • Colecionar calos nos dedos e nas cordas vocais acompanhando a todo volume a cantoria na hora do recreio e nas reuniões da galera.

Em todas essas paixões eu sempre tive, no mínimo, um grande amigo ao meu lado. Geralmente eram mais. E sempre estivemos todos cercados pela Música, a universal, a que toca a todos. Tive três bandinhas de garagem na adolescência. Toquei na igreja. E toquei um bocado sozinho, em casa, em bares. Ainda faço isso uma vez por semana atualmente.

Cursei Letras, português e literaturas na Universidade Federal Fluminense. Fui muito feliz lá. Mas não concluí; um dia a menstruação da minha então namorada atrasou, e nos descobrimos grávidos. Foi uma confusão danada. Hoje meu filho tem mais de dez anos, e já me acompanha ocasionalmente quando eu toco no boteco; ele tem a mão boa pra percussão, puxou ao avô. Ele foi o que me impediu de me tornar um pseudo-hippie-inquilino-da-mãe e me trouxe até onde estou hoje.

Já trabalhei no lixão da minha cidade, numa empresa de catamarãs e aerobarcos, em duas plataformas de petróleo no meio do mar, duas siderúrgicas das Minas Gerais, um pólo petroquímico quase na fronteira com o Uruguai. Depois trabalhei num estaleiro, na minha cidade. Hoje estou num escritório da Petrobras no centro do Rio. Tudo isso sem nem um curso técnico ou faculdade de engenharia que me qualifique; apenas com meus conhecimentos de computador, um inglês aprendido em anos de curso e cultivado a base de música (e videogame, sejamos francos), e hoje também com a experiência adquirida em um monte de áreas de obra. E quase sempre com a ajuda de amigos, aqueles antigos da cantoria de colégio ou outros que fiz nas cantorias de todo esse trecho.

Acredito de coração que a música sincera deve ser a mais importante manifestação humana para si mesma. Acredito que ela é capaz de qualquer feito para o bem; ela transforma qualquer indivíduo, une qualquer grupo, iguala qualquer diferença. Acredito também que todos sabem disso mas ninguém dá a devida importância. Por isso, acho que, de certo modo, música é a minha religião. Eu admito que sou um fanático. E por isso também acredito acima de tudo que é dever de todos difundí-la, celebrá-la, sentí-la. Música é pra se ouvir e se tocar.