Trastejando

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior.

Música: Isn’t it a Pity

Escrito em 03/06/2013 | 6 comentários

Já faz um tempo, um amigo me pediu pra eu citar uma referência musical minha. Mais de uma pessoa já me pediu pra falar sobre Beatles. Só que pedir isso pra um fã tarado feito eu é como pedir uma monografia, é muita informação pra selecionar. Então eu escolhi uma das minhas músicas preferidas do meu Beatle preferido, o George.

George HarrisonAntigamente, todo mundo era megafã do John. Já os músicos profissas e aspirantes em geral preferem o Paul; inclusive com a onda atual de shows, o mundo tá começando a eleger o Macca como “biggest Beatle”. O cara é mesmo gigante. Mas, com o devido respeito, John podia ser a atitude irreverente e o político engajado, e o Paul podia (ou pode) ser o talento musical incomparável e talvez a melhor voz. Mas George é o amor. Não tem definição melhor. Ele foi o Beatle agregador, o camarada paz-e-amor que algumas vezes foi a conciliação entre os temperamentos dominantes da banda… Que aliás nem deu a ele o valor devido: pra quem não sabe, seis meses depois que a banda acabou, George lançou All Things Must Pass, o primeiro álbum triplo solo da história, número 1 de vendas no mundo inteiro por muitas semanas e considerado por muitos críticos como o melhor álbum-solo de um beatle. E boa parte dele é feita de material “engavetado”, músicas que não foram aprovadas pela dupla Lennon-MacCartney…

E ainda dizem que "Clapton is god"...

E ainda dizem que “Clapton is god”…

Essa aqui é uma delas. Ela foi lançada em 70, e acho que ela cai muito bem ao movimento hippie, aquele momento de confraternização que eu queria ter vivido, hehehe… Não tenho certeza, mas talvez ela tenha sido uma das músicas do Concert for Bangladesh — aliás: conhece o conceito “show beneficente de astros internacionais”, estilo Live-Aid e etc? Pois é. O George que INVENTOU, com esse show. Uma idéia que só ele podia ter e só ele podia organizar… porque ninguém mais além dele era tido como amigo pessoal por tantas outras estrelas… Mas é história pra outro texto, deixa eu voltar ao assunto…

Uma das coisas interessantes sobre essa música é que se a gente pára pra analisar descobre que ela na verdade foi gravada uns 3 anos antes, ali entre os dois últimos álbuns dos Beatles (o Abbey Road e o “póstumo” Let it Be)… E aí, além do sentido maior de hino setentista que ela ganhou, aparece uma perspectiva completamente diferente e pessoal, para aqueles 4 quase-ex-camaradas confinados no enorme estúdio da rodovia Abbey. Mas ao invés de ter qualquer tipo de acusação ou revolta, o tom é sempre humilde, é inclusivo. A palavra ideal é compaixãoExatamente do que eu falo quando digo que George é o beatle do amor.

Aqui vai a letra…

Isn’t it a pity
Isn’t it a shame
How we break each other’s hearts
And cause each other pain
How we take each other’s love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn’t it a pity

Some things take so long
But how do I explain
When not too many people
Can see we’re all the same
And because of all their tears
Their eyes can’t hope to see
The beauty that surrounds them
Isn’t it a pity

Eu passei o feriado tentando encontrar tempo pra gravar eu mesmo um mini-arranjo dessa música, mas foi impossível. Então segue um videozinho, com uma boa versão. Esse show do vídeo é o Concert for George, o concerto beneficente em memória a Harrison que foi realizado no aniversário de um ano da sua morte, dirigido por um dos seus melhores amigos: Eric Clapton. E é mais um assunto pra outro post. Aliás, quem estiver acompanhando o site, pode esperar muito mais posts sobre George Harrison. Eu nem comecei.


5 de junho de 2013

Opa, olha eu aqui de novo. A quem interessar possa: eu tenho essa mania feia de sair escrevendo as coisas baseado principalmente na minha memória. E quem me conhece sabe que ela não é lá essas coisas. Eu tinha ouvido em alguns lugares e tinha certeza de que essa música era “Pós Álbum Branco”, mas a Wikipedia informa que essa música na verdade foi composta em 66 — ainda no início da fase conturbada dos Beatles. Ela já existia desde a época do Sgt. Peppers. E foi “oferecida” aos Beatles e negada umas 3 vezes (tipo Jesus por Pedro); a última vez foi a que eu sabia, na época do Abbey Road. O George cogitou oferecê-la até ao Frank Sinatra. E pra minha surpresa maior ela também NÃO faz parte do Concert for Bangladesh

Isto tudo dito, continuo defendendo a música como uma das minhas favoritas… Mas desculpa a informação imprecisa, desculpa a vergonha que passei, rsrsrsrs…

6 Comentários

  1. Olá Pablo,

    você vai lá, eu venho cá.

    Cara, como é incrível esta semelhança, não somente num certo modo de escrita, como quanto aos assuntos. De fato, quando leio seus textos sinto uma proximidade muito grande. Agora você me vem com Beatles e, principalmente, George. Faço minhas todas as suas considerações à respeito de George Harrison. Poderia escrever um outro texto sobre a minha apreciação. Tenho o álbum triplo em LP e CD. São muitas histórias…

    Parabéns pela escolha do tema e pelo bom gosto!

    • Assis, por favor fique à vontade pra acrescentar aqui qualquer coisa que você ache relevante, ok? Eu vou escrevendo conforme a lembrança me vem na cuca… E minha cuca falha um bocado, hehe…

      Pode crer, tem muitas histórias… E algumas ainda vão vir pra cá, é só elas aparecerem do jeito certo na minha cachola… Aguarde e confie, hehehehe…

  2. Lindo!

    Acho que você deveria ir nessa onda até secar a fonte!!!!heehehhehehehe!!!!!

  3. Cara, cadê o botão de curtir?

    • Ih! A benção, camaradas A. Bessa! Aimeudeus, músicos ultraprofissas tão vindo visitar… Não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo!… Já tô ficando nervoso de novo do lado de vocês, rsrsrs… Mas quando que vamo fazer um barulhinho, hein?

      Uai, o botão de curtir não tá ali em cima não? Ele aparece quando quer… Ê sitezinho mequetrefe…

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