Trastejando

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior.

Dica: Direct Box (ou: Como ligar seu instrumento corretamente no lugar errado)

Escrito em 12/06/2013 | 31 comentários

Mesa de somAté agora não fiz nenhum post com uma diquinha direta para os companheiros violeiros/guitarristas “reles mortais” como eu: gente que apesar de ter o seu instrumento e talvez até seu setup elétrico pessoal, geralmente não tem acesso aos equipamentos caríssimos e enormes dos “profissas”. Mas em algum momento pinta aquela necessidade (ou a vontade mesmo) de fazer um som “big electric” — Ou é o churrasco dos amigos com aquela mesa de som pra ligar tudo ao mesmo tempo, ou você resolve fazer um teste com o som do home theater, ou tenta gravar alguma coisa plugando no computador… Aí você chega todo animado, liga tudo, aumenta o volume, futuca nos controles, equaliza, reequaliza… E o som fica uma boa bosta. Não interessa o quanto você mexa, não dá jeito. Ou fica grave demais, ou fica chiando, ou distorcendo… Aí você começa a acreditar que precisa de um sistema de amplificação especial pra sua guitarra/violão. Certo? Aí é que está: não exatamente

Recentemente eu tive uma experiência dessas. Normalmente eu tenho o meu esquema de som todo preparadinho pra tocar num local modesto: estou usando uma caixa Roland de 2 canais. Ligado nesses canais, vai um microfone e uma guitarra (ou violão, depende do momento). Funciona que é uma beleza, é a amplificação mais fiel que eu já ouvi ao vivo na vida. E ela ainda tem saída de sobra pra ligar em sistemas maiores se eu precisar. Mas no mês passado, fui contratado pra tocar num shopping, num horário apertado demais pra eu levar a caixa, tinha que sair do trabalho e seguir direto pra lá, e a pé. “Sem problema!” Me disseram. “Pode vir só com seu instrumento que aqui tem tudo!“… Aí já sabe o resto da história, né…

No primeiro dia, eu credulamente fui com o equipamento mais portátil possível — minha velha guitarrinha Estefânia — debaixo do braço. E, ora veja só, o som ficou uma merda! Mesmo tendo um “técnico de som profissional” lá só pra garantir que a coisa iria funcionar bem, mesmo com todo o malabarismo de efeitos que eu odeio mas que tive que tentar no desespero… O fato é que o som ficou um lixo. Aí busquei o conselho do meu camarada Fábio Carbony, que monta som desde antes de existir luz elétrica. E na segunda vez com a guitarra, segui a recomendação de Fabinho e deixei um pequeno detalhe entre ela e a mesa de som: uma Direct Box. Pronto, problema resolvido.

 

Direct box passiva da voxman que me salvou!

A Direct box passiva que me salvou!

Uma Direct Box só serve pra uma coisa: converter um sinal de alta impedância em um sinal de baixa impedância. Sabe o que é impedância? Pois é, eu também não. Mas aprendi leigamente que ela mede o “equilíbrio” do sinal sonoro gerado por um rádio ou uma guitarra, por exemplo. E é isso que faz ele ser bem reproduzido ou não por uma mesa de som. Não entendeu? É o seguinte: Equipamentos que usam sistemas ativos de geração sonora (ou seja, que usam um sistema com sua própria fonte de energia) como violões com a famosa “captação ativa” com bateria de 9v, ou rádios, ou teclados, produzem um sinal “tratado“, mais forte e equilibrado; isso é um sinal de baixa impedância. Já sistemas de captação passiva (como guitarras em geral e violões elétricos sem bateria) produzem um sinal de alta impedância, que é um sinal muito fraco mas com picos desequilibrados, que eu definiria como “delicado” — pra traçar um paralelo, pense em um negativo de foto: os detalhes estão todos ali, mas pra visualizar direito (ou ouvir, no caso) e no tamanho (volume) ideal você precisa do equipamento certo.

Mesas de som, entradas de rádio e equipamentos em geral não tem sensibilidade pra “ouvir” alta impedância corretamente; dependendo do equipamento, existe inclusive o risco de queimar uma entrada de áudio. Mas a DI (outro nome para Direct Box, vem de Direct Injection) recebe o áudio de alta impedância e o transforma em algo como um sinal de microfone, que é facilmente amplificável pela maioria dos equipamentos e resolve o problema. Só não pode esquecer que, dependendo do equipamento de amplificação, você vai ter que se preocupar em conseguir um adaptador pro cabo.

Minha guitarra, uma caixinha de guitarra batuta e o gravador portátil

Minha guita Jurema, minha caixinha batuta de guitarra e meu gravador portátil.

Tem muito mais detalhes nesse assunto, mas a idéia geral taí. Se eu soubesse disso quando era adolescente, era capaz de nem ter comprado uma caixa de guitarra pra mim, teria ligado tudo no receiver Gradiente do papai, hehehehe… Hoje to começando a usar esse mesmo princípio pra gravar direto da saída de fone da minha caixinha de guitarra para o gravador portátil. E defini meu “setup portátil” de instrumento como: Guitarra/violão + Pedaleira bacana simulando amplificador + Direct Box. Clique nos links se quiser saber o preço atual desse setup, e se quiser conferir o custo/benefício, aqui está uma versão barata do amplificador de guitarra que eu uso como simulação principal da pedaleira. E abaixo seguem links com o pouquinho de pesquisa séria que fiz sobre o assunto:

 

31 Comentários

  1. Parabéns pelo artigo Pablito!!!!
    “meu camarada Fábio Carbony, que monta som desde antes de existir luz elétrica”. LOL. Tô me sentindo jurássico. Rsssss

    • Po, quis dizer que você tem experiência de verdade nisso, ao contrário dos “técnicos de som” que brotam nesses shoppings por aí… Mas foi mals, bola fora, rsrsrsrs…

      Aliás, brigado por aparecer por aqui! Bem vindo, camaradinha!

  2. amigo parabéns pelo artigo.!!me ajudou bastante,mais eu estava pesquisando para comprar urgentemente o meu D.I ,entretanto surgiu mais uma dúvida:eu compro o ativo ou passivo.?

    • Alô, camarada!

      Difícil de responder assim na bucha. Depende de um monte de coisas, mas como uma regra bem geral: o passivo tem a grande vantagem de ser PASSIVO, rsrs… Ou seja, ele faz o serviço sem precisar de nenhuma fonte de energia e nunca fica sem bateria. Mas a grande maioria deles, por uma questão de qualidade de construção e do próprio processo da conversão de impedância, não dão “fidelidade nas pontas” do registro acústico — os passivos tendem a “atenuar” agudos mais altos e graves em excesso. Mesmo bons DIs passivos sofrem disso. E os realmente bons são CAROS.

      Os ativos geralmente não sofrem desse mal pq funcionam diferente — com uma fonte de energia pra compensar perdas de ganhos fica mais fácil fazer uma conversão sem a degradação do sinal. Em compensação eles dependem de uma fonte externa de alimentação pra funcionar (a maioria usa uma bateria de 9v comum, e distorcem o som quando essa bateria começa a enfraquecer) e podem ser “barulhentos” (“energia extra” no sinal sempre pode gerar ruído, por isso é bom ter uma chave de aterramento neles).

      Eu tenho usado com frequência atualmente um DI ativo da Behringer, o Ultra DI20. Custa uns 100 reais, pode ser alimentado via Phantom Power além de bateria (um tipo de alimentação para microfones de alta qualidade que algumas mesas de som fornecem), e estou satisfeito.

      • Confudiu impedância com ganho. Violões passivos baixo ganho +/_ 250mv e alta impedancia. Necessita de alta imp para amplifica lo.

        • Não foi o q eu falei? Violões com captação ativa = baixa impedância, violões com captação passiva (ou “sem bateria”, como eu escrevi na época pra simplificar) = alta impedância… não entendi o que eu confundi, camarada…

  3. Tenho uma duvida. Primeiro parabens pelo artigo. Tenho uma potencia oneal com duas saidas onde ligo uma caixa com 4 falantes de 10.nessa potencia está conectado um equalizador e uso uma mesa behringer xenyx 5 canais. Como faço para ligar o direct box ativo behringer ultra G100?

    • Opa, oi camarada! Obrigado pelo parabéns, rsrs…

      Vamulá. A questão “onde ligar” dos directs é bem simples, mano. Entenda ele sempre como um “conversor de sinal” — ele vai “converter” o sinal da sua guitarra (ou violão, ou baixo) no equivalente ao sinal de um microfone. Então ele vai ficar, sempre, ENTRE a mesa de som e a sua guitarra (e tudo mais que você usar com a guitarra, como um pedal por exemplo). Ao invés de ligar o cabo do instrumento diretamente na mesa, você vai ligá-lo no direct box e vai ligar O DIRECT na mesa, na entrada de microfone. Veja que o direct tem uma saída que chamam de “balanceada” ou “XLR” — uma saída de 3 contatos, que é normalmente usada pra microfones, e que certamente tem na sua mesa.

      Eu vi que esse seu modelo de direct é ativo, mas aceita alimentação elétrica por Phantom Power, que é uma corrente elétrica especial que algumas mesas podem fornecer. Dependendo do modelo dessa Behringer ela pode ter também (a minha Xenyx 1202 tem); isso elimina a necessidade de usar uma bateria no direct box. Com isso, é só ligar o Phantom Power da mesa e ligar o cabo de microfone no direct normalmente que ele funciona mesmo sem bateria. Vale só mencionar que se vocês usam algum tipo de microfone “ultra-profissional” (como microfones de fita, chamados Ribbon microphones, que se usam para gravações de estúdio) você pode queimá-lo se a mesa não tiver como controlar quais canais recebem o Phantom Power. Mas esse tipo de microfone é caro e raro, os comuns de palco (como o padrão Shure SM58 e todos os seus clones) não tem risco.

      É isso. Espero ter ajudado. Bom som!

  4. Olá,
    O artigo ajudou a esclarecer algumas dúvidas que tinha.
    Eu também gostaria de saber se eu posso usar um DI ( no caso DI 20 Behringer) plugando a guitarra na entrada dele e a saída no PC, e o “link” indo para um amplificador. Desse modo eu poderia gravar a guitarra com meus pedais e ouvindo o som através do amplificador. Essa forma de ligação estaria correta?

    • Oi, camarada!

      Sim, pro propósito que você falou a ligação está certinha, é isso mesmo. A saída balanceada (de 3 pinos, ou “cannon”, como muita gente chama. Tanto faz ser a do canal 1 ou 2, como você vai usar o canal 2 como “link”) iria para uma entrada de “MIC”, que pode ser a do seu PC também; e a outra entrada/saída não balanceada (o jack mono do canal 2, para plug normal de guitarra, que chamam de plug “P10”, ou “banana”…) funciona como um bypass e pode ir direto pro amp. Isso é uma coisa legal desse DI, você pode usá-lo como 2 canais independentes ou pode usar ele com essa função de “link”, aí a “entrada” do canal 2 vira uma “saída” em bypass.

      Só deixo duas questões a pensar:
      1. Você está deixando a sua caixa amplificada de fora da gravação, e ela pode fazer diferença (e muita) no som final da sua guitarra. Isso pode ser bom ou ruim; depende do que, do pra que, do como você está querendo gravar, enfim, depende de um monte de coisa, rsrs. Isso é intencional?

      2. Você já tem preparado um modo de ligar esse cabo de três pinos no computador? De repente to levantando a questão à toa, você pode ter uma interface de gravação profissional já com entradas balanceadas, mas se o seu equipamento é simplesmente um PC com entradas p2 de “mic/line/phone” que nem o meu, tem algumas adaptações a se pensar.

      Precisando de uma opinião, só avisar! Forte abraço!

      • Resposta 1 – Meu amplificador tem apenas saída de fones e eu não tenho microfone. Por isso não uso o som passando por ele para gravar. Eu tenho tentado o seguinte: carrego uma backing track no audacity com o computador ligado a um micro system Philips e coloco para gravar. Assim ouco a backing track pelo mini system e o som da minha guitarra com os pedais ( naõ uso pedaleira) pelo meu amplificador.
        Resposta 2 – Ligo a saída de três pinos do DI-20 na entrada “mic” do PC através de um cabo com essas conexões que comprei.

        O que tem acontecido é que a gravação mesmo da guitarra sem nenhum pedal tem ficado um pouco distorcida em função da dinâmica que toco as cordas ( quando mais forte um poco) e além disso há um chiado.
        Não interface de áudio. Vi duas que parecem ser boas (IO2 express Alesis e M Track da Maudio) que são caras e também a UCA-222 Behringer que é bem mais em conta, mas tenho receio de gastar com ela e não atender

        • hmmm…

          Dá pra pra fazer um teste e usar o seu amp como pré, usando a saída de fones e ligando ela no DI. Talvez não funcione bem (não sei bem como funciona a impedância dessas saídas de fone), ou talvez seja a melhor opção. Você viu a dúvida do amigo Carlos Cunha ali? O que eu escrevi serve aqui também — quando a gente está falando de captação magnética “tradicional” (isso quer dizer a captação passiva que a maioria das guitarras usa), uma boa parte do timbre é gerada na AMPLIFICAÇÃO, especialmente no estágio de PRÉ-AMPLIFICAÇÃO que é o tratamento de ganho e controle de graves, médios e agudos (falando de modo simples); eu chamaria isso de “envelope” do sinal. Essa é exatamente a diferença que faz usar uma “caixa de guitarra” e é por isso que tem guitarrista que prefere a caixa da marca X ou Y. Você está usando pedais, eles vão modificar o sinal da sua guitarra, mas não vão te dar esse “tratamento final pré-amplificação”; uma pedaleira tipo “amp-simulator” boa vai fazer isso, mas acho que já existem opções funcionando direto pelo computador — recomendo pesquisar sobre o Amplitube; usei isso em estúdio não faz muito tempo e é impressionantemente legal. Só não tenho certeza como funcionaria com uma placa de som “normal”, sempre acaba tendo questões de latência (ou “lag”, que é um micro-atraso entre o seu toque e a reprodução do som. Pode ser de milissegundos mas na prática faz TODA a diferença) — não sei se você chegou a dar uma olhada em outros posts meus, mas eu meio que cansei de usar computador por isso e por todo o trabalho, já cheguei a mencionar por aqui.

          Sobre o distorcido e o chiado, tenho uma resposta terrível: pode ser um monte de coisas, rsrs…

          Pro chiado, recomendo primeiro usar o DI com a chave de ground sempre em “ground” (só isso fez uma diferença danada pra mim, e o meu DI atual é o mesmo DI-20). Outra idéia é usar cabos curtos; levei um tempo enorme pra descobrir isso, mas quanto menor o cabo, menos ele pega interferências eletromagnéticas (pois é, tem isso também!) do ambiente. Só essas duas coisas juntas resolveram meus problemas de chiado de vez pra tocar ao vivo mesmo usando efeitos que favorecem esse “bzzz” que imagino que seja o seu chiado também.

          Pro som distorcido, sei como é, também passei por isso. Cara, a notícia é ruim: é o que eu disse ali em cima, a amplificação da sua placa do PC não tá pronta pra fazer isso sozinha — na verdade eu acho q a própria impedância dela não é exatamente a certa para um microfone de verdade, se você tentar ligar um bom mic de palco nesse esquema não vai ficar melhor nem mais limpo do que com o mini microfone do velho “kit multimídia”. E tem o fato de que eu não sei como funciona o seu adaptador, mas ele não “adapta” tudo o que os três pinos fazem — tem detalhes nisso aí também, adaptações XLR/TS ou para XLS/TRS que fazem diferença porque a sua entrada de MIC ali é só um jack mono. Quando eu gravava pelo PC (mesmo com uma placa velha tipo SoundBlaster16), eu usava uma mesa de som pra “domar” o sinal de mics e instrumentos nela e o som entrava pela “line in” do PC, foi assim que eu gravei algumas coisas (dá uma olhada na gravação de “O dono do céu” ou “tudo outra vez”). Por isso, pra sua aplicação, eu recomendo você ter um tipo de “pré-amplificador”, seja ele uma mesa ou a caixa mesmo. Das interfaces de áudio, eu já vi a M-Audio, é bem legal — ela com o Amplitube deve funcionar redondo. A Behringer, não sei; acho que ela resolveria o lance da latência que comentei mas acho que ela ainda precisaria de um pré…

          Cara… mais um post dentro dos comentários, rsrs….

  5. informações muito importantes. vou salvar em favoritos para novas consultas. toquei durante algum tempo em uma banda como guitarrista anos 77/79. eu chegava e a guitarra, (Gibson Les paul e Fender Telecaster) já estava me esperando para tocar 22 músicas por apresentação. eram ligadas em 2 amplis. valvulados, um para cada. nunca soube como ligavam as guitas nos amplis. sempre tive comigo um violão para distrair. recentemente comprei uma guitarra IBANEZ gio grx 170 – pluguei em uma caixa Lesson e comecei a fazer um “sonzinho”. me deu saudade dos velhos tempos e acabei comprando um pedaleira Boss ME-25. ficou “legalzinho” me animei e comprei um Microfone “marromeno” e comecei a mandar umas músicas dos Beatles entre outros pop rock das antigas. Agora meu camarada Pablito… lascou véio… estou empenhado na compra de uma caixa ativa/passiva + uma mesa. eu quero saber como vou ligar essa bagaça toda. (guitarra+pedaleira+caixa+microfone), só olhar no google… estou olhando. só que encontro com linguagem para quem já sabe fazer e acabo não aprendendo nada. vi seu jeito de explicar muito claro, objetivo e simples e resolvi apelar por sua ajuda. vlw – CarlosCunha

    • Rapaz… Camarada, tem tanta coisa pra falar sobre isso aí que se você me permitir usar a sua história, queria escrever um post só sobre o exemplo que você tá abrindo, to precisando voltar à ativa aqui. Mas vamos no rapidinho mesmo por enquanto. Pra facilitar vamos organizar o seu equipamento em conjuntos pra você saber o quê vai aonde. Como você disse ali: guitarra+pedaleira+microfone+mesa+caixa, certo?

      Então você tem 2 conjuntos de “entradas de som” que eu vou chamar de SINAL cada um:
      SINAL 1: Microfone marromenos
      SINAL 2: Guitarra + pedaleira

      Essa parte agora é que não tá muito clara pra mim, mas vamos assim. Vou chamar o seu conjunto de [caixa ativa + mesa], ou [caixa passiva + amplificador (também chamado de “PA”, ou “Power”) + mesa] de SAÍDA. A questão aqui é que pra montar o conjunto SAÍDA do melhor jeito depende de que equipamento você vai usar: uma “caixa ativa” (ou “caixa amplificada”, ou “solid state”, são todos sinônimos) pode dispensar uma mesa de som (ou não), dependendo do tipo de caixa pode valer a pena ligar os conjuntos de SINAL diretamente nela (ou não de novo)…

      Mas vou assumir isso: como você me disse que vai ter uma mesa de som, eu sei que tem pelo menos 2 canais pra você ligar um SINAL em cada. Aí é como eu falei no post — o sinal da guitarra (mesmo com a pedaleira) não tem “impedância compatível” com as entradas da mesa, então você vai precisar de um Direct Box; a idéia aqui é simples, você vai ligar o cabo que sai da pedaleira no direct e a saída do direct em um canal de microfone da mesa. Então fica assim:

      – SINAL 1 => SAÍDA (canal de microfone na mesa)
      – SINAL 2 => Direct Box => SAÍDA (outro canal de microfone na mesa)

      O conceito básico é esse aí, mas existe mais uma meia dúzia de coisas pra você conseguir um resultado realmente BACANA de guitarra com isso — principalmente se a sua referência eram amplis valvulados. Não dá pra entrar em detalhes (isso TEM QUE VIRAR um post porque já escrevi demais aqui), mas o fato é que a AMPLIFICAÇÃO faz TODA A DIFERENÇA no som final da guitarra — por isso a Fender também faz caixas pra guitarra, por isso existe a Marshall, a Peavey, a Vox… Mas a dica principal pro SEU SET é exatamente essa: sua pedaleira (a Boss ME-25) SIMULA amplificadores. Use isso pra ter o som TODO PRONTO para chegar na mesa de som sem precisar de nada além de um botão de volume.

      Qualquer coisa mande mais contato. Forte abraço!

      • agora sim, acredito q. entendi. a caixa q. vou usar é uma – Ciclotron Multi D700 Caixa Ativa Multiuso Usb. a mesa é uma Behringer Ub502 Eurorack Mixer 5 Canais – e completando o conjunto; a guitarra, o mic e a pedaleira. tenho um cabo XLR que vou plugar o mic. no canal 1. e a, guitarra ligo na pedaleira que vai para a caixa e o DI que vai para mesa no line in, canal 2/3 ou 4/5. e a caixa vou plugar em main out L ou R. sobre o DI, tenho uma duvida. pode ser feito esse esquema de ligação sem o DI? pelo valor, é claro que vou usar. mas gerou essa duvida. o que estou querendo é esse – Direct Box Passivo Aquarius AP 400 – com saida Balanceada e link para amplificador.

        • Ixe. Mano, pela pergunta que você fez acho que você tá quase entendendo, rsrs. Vamulá.

          Dei uma olhada na sua caixa e na sua mesa. Na sua configuração atual o DI está sobrando mesmo, como eu vi que você reparou. Não é que a amplificação da sua caixa seja o ideal; mas a sua mesa só tem UM canal XLR (ou “balanceado”, ou “cannon”…). A função do DI é só converter um sinal “tipo guitarra” em um sinal “tipo microfone balanceado”; por isso ele só faz sentido se o canal onde você vai ligá-lo (seja esse canal na mesa ou na caixa) for uma entrada de MIC balanceada — ou pelo menos uma entrada de MIC mesmo não-balanceada. As entradas “line in” de uma mesa ou de uma caixa são para sinais de BAIXA impedância, como eu falei lá no post: são para um player de CD ou MP3, ou um teclado. São para o tipo de equipamento eletrônico que te entrega um sinal tratado, que você pode ligar sem medo na entrada auxiliar do rádio em casa que vai soar perfeitamente. As entradas “line in” na verdade são EXATAMENTE o equivalente à entrada AUXILIAR dos rádios, por isso muitas mesas (a sua, por exemplo) não tem nenhum controle de EQUALIZAÇÃO (graves, médios e agudos) para esses canais: porque o som que vai entrar nelas já está “pronto”. Mas então vamos ao seu esquema.

          Pra guitarra: No seu lugar eu ESQUECERIA o DI e ligaria a princípio a guitarra+pedaleira na entrada “low gain” (que deve ser o equivalente à “alta impedância”, veja que sacanagem — aposto que você pensou primeiro em ligar a guitarra no “high gain”; eu pensaria… Seria tão mais útil se os fabricantes usassem os termos certinhos, facilitaria muito pra gente como músico pesquisar e aprender ao invés de confundir a nossa cabeça com termos vagos). Recomendo muito você debulhar o manual da sua pedaleira, mexer bastante nela e fazer testes com o som ligado; como eu falei essa amplificação também não é o ideal pro som final da sua guitarra, mas com uma boa pedaleira bem equalizada e bem configurada (a Boss está entre as melhores marcas), hoje em dia se faz mágica com a tal simulação de amps.

          Para o mic, você tem duas opções:
          1. Você pode ligar o mic na mesa com o seu cabo XLR e ligar as saídas da mesa (pode ser o “MAIN OUT” ou pode ser a saída “OUTPUT” também) nos “line in” da caixa. Sacou? A mesa se liga nos “LINE IN”, ela é si é um equipamento de BAIXA IMPEDÂNCIA! Na sua caixa os canais mais adequados pra isso são o canal 3 e o canal 7; repare que ambos são estéreo, repare nas conexões, veja os cabos que você tem pra ver como ligar uma na outra. Nessa configuração você tem a vantagem de ter um controle de equalização (apenas de graves e agudos, pelo que vi) só pro seu mic na mesa.

          2. A segunda opção é conseguir um cabo XLR/P10 (ou “cannon/banana”, como chamam) e ligar o MIC direto na caixa, em um dos canais de microfone. Essa configuração tem duas vantagens; uma é que é bem mais simples, rsrsrs. Outra é que você pode usar os efeitos da caixa (o CANAL 8) para a voz, eles dão uma profundidade e melhoram o som. Mas não ter um controle de grave e agudo dedicado pode ser uma mega desvantagem, principalmente se seu mic é marromeno como você falou. Mas recomendo testar as opções e ver o que funciona melhor pro seu ouvido.

          Bom, camarada… Espero ter ajudado, toda essa falação pode ter virado uma salada de informação… É como falei lá no início, tem tanta coisa pra analisar nisso aí, rsrsrs… Mas com sorte consegui dar uma luz pra ti e pra mim mesmo, pensar em montagem de som é sempre um aprendizado, rsrsrs. Forte abraço!

  6. Olá….uso guitarra+pedais e quero plugar os pedais direto na mesa de som…comprei um direct box agora mas não sei como é o jeito certo de conectar à mesa.

    A line OUT da DI é XLR. Eu preciso de um cabo com as 2 pontas XLR pra plugar na entrada XLR da mesa, ou pode ser um cabo com uma ponta XLR e outra p10 (para plugar esta última ponta na mesa?)?

    Obrigado!

    • Oi, camarada!

      O ideal é que seja bem como você falou primeiro: um cabo padrão com as duas pontas balanceadas pra ligar na entrada XLR de microfone da mesa. Mas algumas mesas não tem entrada XLR, então nesse caso você pode usar um cabo com a ponta P10 — pode não soar tão bem, exatamente porque aí o cabo não funcionará como um cabo balanceado, mas se a entrada da mesa não for XLR ela também não será balanceada (a não ser em casos de entradas chamadas TRS, que é uma conversão do cabo balanceado em um formato de plug P10 estéreo — mas isso é raríssimo aqui no Brasil e nem lá fora é comum).

      Bom, mas como você falou em pedais vou te dar a mesma dica que dei ao camarada Bruno ali: se você não tem um pedal tipo amp-simulator, recomendo adicionar um ao setup — o lance da pré-amplificação faz diferença no sinal que vai chegar na mesa.

      Forte abraço, irmão!

  7. Oi amigo aproveitando a carona, é não aproveitar da sua bondade. Vamu lá . Eu preciso ligar meu teclado em uma mesa de som .e depois passar o som para outra mesa. Para depois ir para as caixas. Vc pode me ajudar? A minha mesa tem 6 canais 2 monos e 2 esterio, a segunda mesa tem 6 canais.

    • Oi, camarada! Bom, pra ter certeza de como ligar tudo você precisa de mais detalhes sobre esse equipamento, mano. Mas com o que você disse, meu melhor palpite é: eu usaria os canais estéreo da mesa pra ligar o teclado (ele sendo estéreo ou não). E ligaria as saídas dessa mesa em duas entradas estéreo da segunda mesa. As saídas da segunda mesa vão para o amplificador que vai alimentar as caixas, ou direto para as caixas se forem caixas ativas (as chamadas “caixas amplificadas”). Mas o ideal é verificar também:

      – se o seu teclado é estéreo, você pode usar um cabo estéreo para a mesa (não é OBRIGATÓRIO, mas enriquece o som do seu teclado principalmente quando você estiver usando timbres com efeitos como chorus e reverb);

      – verifique como são as entradas “estéreo” da mesa: se cada jack (cada “buraco”) é uma entrada realmente estéreo (de DOIS canais, um direito e um esquerdo), ou se cada entrada vai para apenas um “lado” das saídas. E verifique a ligação da segunda mesa para não correr o risco do seu teclado só sair em uma caixa no final das contas, se você estiver ligando ele como mono.

      Mais específico do que isso, só vendo as mesas. E se você está se perguntando por quê eu preferi a entrada estéreo, aí você encontra a DICA ESSENCIAL, que eu mencionei no texto e nos comentários ali em cima. É a questão da IMPEDÂNCIA. As entradas mono podem ser entradas para microfones, que são entradas mais sensíveis e preparadas para equipamentos com sinal “fraco”. As entradas estéreo são “line in”, são menos sensíveis e mais adequadas para equipamentos já pré-amplificados de algum modo (isso é BAIXA IMPEDÂNCIA). O seu teclado, um player de MP3, uma bateria eletrônica e praticamente qualquer coisa que se ligue na tomada ou use baterias pra gerar som são sinais desse tipo. Tenha isso em mente quando for ligar o seu teclado em mesas ou em caixas amplificadas, para evitar correr o risco de queimar canais sensíveis demais.

      Ok, espero ter ajudado. Precisando, estamos aí. Forte abraço.

  8. Olá, muito boa a sua explicação e sanou várias dúvidas que eu tinha. Porém uma ficou, no caso do uso de contrabaixo, é sempre obrigatório ligá-lo numa Direct Box para a mesa, independente se o instrumento é passivo ou ativo, ou o uso obrigatório dele vale somente para o instrumento passivo?

    • Alô, camarada. Bom, minha especialidade não é captação ativa nem de guitarra nem contrabaixo, mas seguindo minha experiência com os outros instrumentos, eu diria que não precisa. Até onde sei os baixos e guitarras ativos tem baixa impedância (o tal “sinal forte”). Eu tentaria primeiro ligar um baixo ativo num canal LINE IN da mesa (do mesmo jeito q um teclado), seria o caminho mais seguro inicialmente. Num canal de MIC, eu não sei; acredito que não teria problema pois acredito que mesmo um sinal ativo do baixo não é forte demais para a entrada de mic… mas vai que dá problema, né…

  9. Comprei um direct box ativo. porém, os tutoriais só vejo ensinando como usar dessa forma : instrumento passivo > direct box ativo, instrumento ativo > direct box passivo. A pergunta é: Qual direct usar, ativo ou passivo para esse tipo de ligação, “guitarra > pedaleira > direct” ?

    • Olá, camarada.

      Poxa, eu nunca vi tutoriais desse tipo, nem fazia idéia que se faz esse tipo de associação. Talvez isso se deva ao fato do instrumento ativo ter um sinal “mais forte” (impedância mais baixa, como é o jeito certo de se dizer, rsrs), e por isso talvez se possa usar um direct passivo com menos risco de perda de qualidade do sinal — é uma característica dos passivos, é mais ou menos uma “atenuação de graves e agudos”. Fazer essa conversão de impedância sem uma fonte extra de energia (ou seja, sem um direct ativo) pra “compensar” perdas de ganho causa isso, não tem jeito. Mas acho que isso seria uma recomendação para frisar o uso de direct ativo pra instrumentos passivos apenas, o direct ativo até onde sei lida do mesmo modo com instrumentos ativos e passivos (ao menos no caso de instrumentos como uma guitarra ou um violão).

      Eu uso uma configuração exatamente como a sua e uso um direct ativo. Meu setup mais versátil e portátil de gigs é: guitarra (ainda vou postar aqui minhas guitarras quando tiver tempo) > pedaleira Zoom G2.1u > Direct ativo Behringer DI20. Essa Zoom emula a amplificação de caixas e cabeçotes como Vox, Fender, Marshall, Mesa Boogie… Na verdade confesso que depois de aprender a trabalhar com ela estou tão satisfeito com essa configuração que dispenso “caixa de guitarra” para a maioria das coisas. E recomendo o direct ativo sempre, pra mim ele é melhor pra trabalhar; tem alguns inclusive (como esse DI20 da Behringer) que são ativos mas podem usar a alimentação da mesa de som (o Phantom Power) e aí nem gastam bateria.

      Falou amigo, espero ter ajudado. Forte abraço!

  10. Ola, parabens finalmente entendi para que serve o di, estou com uma duvida por favor me ajude não tenho pedais e quero experimentar efeitos ja estou com asio e guitar rig no pc para fazer isso mas n sei como conectar tenho medo de queimar a placa de som do pc como faço? o di resolve o problema? queria conectar a guitarra no pc e enviar o som do pc para minha caixa amplificador

  11. Olá boa noite. Gostaria de usar o direct box mas a mesa de som não tem entradas XLR suficientes. Posso utilizar um cabo XLR-p10 estéreo?

    • Camarada, desculpa essa resposta mega demorada, tem tempo q não mexo no site. Mas sim, você pode. Dependendo da entrada da mesa isso pode ser o ideal — não é todo mundo que sabe mas existe entrada P10 balanceada, é o q chamam de TRS, e ela usa exatamente o plug estéreo. Mas geralmente funciona mesmo se não for uma entrada balanceada, nesse caso o q acontece é q ela fica mais suscetível a ruído e perde um pouco de qualidade pq isso mexe com a impedância geral do conjunto “instrumento+direct”.

  12. Ola amigo, entao so para resumir( eu nao tenho pedais) basicamente eu tenho a guitarra vou conectala ao direct box dai mando para a mesa de som e da mesa para as caixas de som certo?

    • Olá, camarada. Desculpa a demora, to fora do site tem tempo. Sim, em linhas gerais é isso aí.

  13. Boas tarde.
    Adianta ter um bom Direct Box passivo (Meu violao Ovation tem captação ativa) se a mesa onde eu toco só possui entradas P10 desbalanceadas?
    .
    Muito obrigado

    • Olá, camarada. Cara, no seu caso eu acho q não tem necessidade por conta da sua captação ativa. O lance com as entradas é só o ganho delas – elas podem ser desbalanceadas, mas entradas “mic” tem sensibilidade maior q entradas “line” de qualquer modo. Mas se você tem um sinal fraco (como uma captação passiva), nem a entrada “mic” tem sensibilidade suficiente pra amplificar corretamente, pra esse caso entra o direct. Mas a sua captação provavelmente entra direto no canal “line” sem problema, aí não tem motivo real pro direct.

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